Recordo um dia feliz.
Era natal.
Acordei cedo.
Estava com o meu tênis e roupas novas.
Eu tinha sido batizado naqueles dias.
Meus padrinhos compraram as roupas pra mim.
Uma camisa branca de botões e uma calça preta, bem bonitas.
Eu era orgulhoso.
Passei na casa de meu amigo Gabriel.
Ele estava só. A mãe dele tinha saído pra trabalhar no dia anterior.
Diziam que ela ganhava a vida fácil, mas tinha que sair todo o dia.
Às vezes, voltava tarde ou na manhã seguinte.
Eu não conhecia.
Subimos a ladeira e chegamos no campo de futebol.
O campinho, naquele dia, era só nosso.
Empinamos a minha pipa toda a manhã .
Eu era feliz.
Almoçamos churrasco no quintal de casa.
Comemos, além de arroz, macarrão, maionese e frango assado.
Os guris tomaram refrigerante e os adultos, cerveja.
Teve até sobremesa, pudim e torta de banana.
Eu fiquei saciado.
À tarde, eu e o Gabriel, fomos no shopping que ficava perto.
Fomos procurar o Papai Noel.
Tinha uma árvore de natal bem grande, com muitas luzes.
E também uns bichinhos e uns barracos. Era lindo.
O Papai Noel não estava lá.
Tinha ido dar presentes às outras crianças.
Na escolinha eu lhe havia mandado o desenho duma bicicleta.
Ele me deu uma pipa e um tênis.
Meu pai disse que o Papai Noel não podia dar tudo.
O Gabriel nada ganhara, ainda.
Voltamos até a casa dele. O Papai Noel não havia chegado.
Eu acreditei.
A mãe do Gabriel estava dormindo, não podíamos fazer barulho.
Fomos para a rua e, com outras crianças, brincamos de pegar e esconde-esconde.
De noite, minha mãe reclamou que minha roupa estava suja.
Lavei-me.
Eu dormi tranquilo.