4.2. segundo sinal: a cura

segunda-feira
Emanuel sentiu Gabriel.
Andava de um lado para outro.
Tudo irritava. Nada prendia.
Primeiro no futebol.
Duro nas entradas.
Ira, coação, violência,
ódio através dos lances.
Nada bom, tudo ruindade.
Depois, era o pós jogo.
Bebida mais que o costume.
A brincadeira, folguedos entre amigos,
tornou-se grande agonia.
Estava chato o Gabriel.
Deixou de sair com os seus,
Salomé, mulher de paz, fazia de conta que nada entendia.
Foi no dia da partida,
o encontro entre os dois.
Só os dois. Ninguém mais.
Silêncio de Gabriel.
Emanuel mais do que próximo.
Mais silêncio, horas... meses em dia.
E num repente, com o pranto,
explodiu tudo o que o oprimia.
Impotente... falou da mãe.
Envergonhado, do seu grande amor.
Conversa de homem pra homem,
mais amigos, mais que irmãos.
O papo foi longo, uma vida.
Emanuel o tocava,
como ninguém o faria.
E com o contar das palavras,
desabrochar, toques, magia.
Viril ele se descobria.
E houve uma tarde e uma manhã:
criou-se o segundo dia.
Nove meses depois, teve volta de Emanuel.
Batismo de Judá, Benjamim:
os gêmeos de Salomé,
de uma enorme prole que viria.