quarta-feira
Emanuel riu-se no quarto dia,
foi na tomada de terra pelos sem-nada.
Bandeiras desfraldadas, cor sangue.
Alicates e foices em desfazer constantes,
cercas em farpas, rompidas e torcidas.
Enxada e facão, abrindo o chão,
território tomado, dividido e repartido.
Espigas arrancadas e debulhadas.
Jornais insistentes em dizer não. Ladrão!
Grãos moídos, misturados e assados.
Fogueira no chão.
Pão de fubá em folha de bananeira.
Acontece assim o milagre da multiplicação.
Tudo em fartura, pois é melhor que sobre.
E houve um sol e uma lua. Tarde e amanhecer.
Crianças dormiram encantadas, mesmo nuas.
E Emanuel viu... era bom.