onde estavas tu
quando precisei de colo,
quando a mão amiga a pousar nos ombros
era tão necessária?
sei... tinhas coisas mais importantes,
mais urgentes e mais necessárias.
afinal, quem sou eu
no meio de milhões
que perambulam nesta metrópole
num constante ir e vir
fugindo da insignificante existência.
sou um a mais.
um grão de areia,
o máximo uma estrela,
ponto embranquiçado da via lactea.
demais pretensão
acreditar que eu
possa existir
num lugar especial do teu coração.
cuidado, apenas, eu te digo.
o amanhã está mais próximo
do que esperas
e se o tempo que se chama hoje
não for bem vivido
naquilo que é essência,
o futuro talvez cobre sua paga.
então poderá faltar os ombros
onde pousar a mão
e, ausente o corpo,
o colo vazio
desesperadamente pronto
para o aconchego e descanso
gritará mudo para ouvidos surdos.