belos são os pés
de carroceiros insustentáveis,
dia e noite libertando
a cidade do lixo.
belas são as mãos
do morador de rua
que ajeita o papelão
para o sono menos frio
de seu companheiro.
belo o sorriso
de bocas nuas
a acolher o diverso.
belo o rosto enrugado
marcados precoces
da guerra de viver.
ah cidade que matas
quem te embeleza,
cruel a queimar
teus deserdados heróis.